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Precisamos ser capazes de pensarmos um modelo de sociedade alternativo ao modelo cis-branco-macho-heteronormativo em que vivemos. Para isso é preciso desconstruir a noção que possuímos a respeito do corpo e suas partes. Assim como reivindicar os locais de poder que historicamente estão fechados para aqueles que não correspondem ao modelo. 

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A Imperatriz na rampa  

2018 

Série: A Imperatriz 

120x80 

Pigmento mineral sobre papel algodão

Tiragem: 2 + 1P.A.

Coleção: MAC-Niterói, Rio de Janeiro

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A Imperatriz na Biblioteca Nacional

2018 

Série: A Imperatriz 

60x40 

Pigmento mineral sobre papel algodão

Tiragem: 2 + 1P.A.

Coleção: MARGS, Porto Alegre 

A série de foto-performances, “A Imperatriz” surge de um desejo por preencher uma lacuna histórica na representação de pessoas transexuais na história da arte. É do jogo entre: arquitetura, performatividade de gênero e poder, que emerge a figura da Imperatriz encarnada em mim. Entretanto, na verdade, ela funciona como um alter ego pelo qual exponho meus privilégios (branca, aparência feminina, classe media...), mas sem esquecer que sou uma pessoa e um corpo transexual, para investigar o que denomino de: “Mecanismos de Aceitação e Rejeição”. Eles inscrevem-se nos corpos em forma de códigos: aparência, (raça, gênero, orientação sexual); e riqueza (classe social), e funcionam como balizadores que os levam a serem mais aceitos e admirados, ou menos aceitos e admirados, conforme o tipo de códigos presente nos corpos. Ser uma artista transexual me coloca na margem do sistema, seja o da vida ou o da arte, mas quando estou vestida de “Imperatriz” as portas dos locais de poder se abrem para mim, e as pessoas vem me receber e me tratam como se eu fosse uma “soberana”, anulando o fato d'eu ser um corpo transexual. A indumentária e a performatividade de poder funcionam como uma “armadura” biomecânica contra o preconceito. Esse trabalho é um processo em aberto que não tem data para terminar. Consiste em passar por locais de poder, sobretudo os da arte, seguindo algumas regras que devem ser acordadas entre a Imperatriz e as Instituições. Os Museus devem estar fechados, sem públicos, como foi o caso do, MAC-Niterói. De preferência, sem exposições em cartaz, como o, MAM-Rio. Ou que se esvaziem totalmente, como foi o caso do Santander Cultural, da Biblioteca Nacional e do Parque Lage, que tiveram seus públicos esvaziados para que A Imperatriz pudesse passar e ser fotografada neles. O trabalho consiste em uma grande encenação de poder, ou, verificação de como os Mecanismos de Aceitação e Rejeição funcionam na prática. Entro em contato com as
instituições, apresento o projeto, as foto-performances da série que já foram realizadas, onde pode-se ver as roupas e joias que usarei, espero aprovação, e então visito os espaços e sou fotografada por um fotógrafo particular que segue rigorosamente minhas orientações.
O projeto é inspirado na vida das grandes soberanas mulheres, que hoje não exercem o poder de fato, a exemplo da Rainha da Inglaterra que é uma figura performativa, sem poder de fato, mas representativa do poder simbólico. Mas também em todas as outras que se destacaram como figuras de poder femininas, como exemplos: Elizabeth I, Cleópatra, Nefertiti, Catarina a Grande, Rainha Victoria da Inglaterra.

Depois de finalizadas as sessões, como parte do processo as foto-performances são ofertadas para doação aos mesmos espaços por onde a Imperatriz passou. O ato de doação tem dois pesos simbólicos, o de preenchimento da lacuna histórica de representação, mas também é como um presente, uma lembrança. A efetivação de um acordo consensual simbólico e positivo entre artista e instituição, nesse processo todo de busca por visibilidade, representação, e estar e ocupar os espaços com dignidade. Existem várias estratégias de ação que podem ser utilizadas para a reivindicação dos espaços de poder que estiveram por séculos fechados para nós, corpos considerados dissidentes, existências incompreensíveis. A minha estratégia é diplomática, baseada no diálogo, na proposta de um acordo amigável. Mas sem esquecer que toda e qualquer resposta à essa tentativa de acordo implica um olhar para os erros do passado, para refletir sobre que futuro queremos e devemos juntos construir.

A Imperatriz Concreta no MAM-Rio 

2018 

Série: A Imperatriz 

120x80

Pigmento mineral sobre papel algodão

Tiragem: 2 + 1P.A.

Coleção: MAM-RIO, Rio de Janeiro

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A Imperatriz no Palácio do Parque Lage

2018 

Série: A Imperatriz 

60x40  

Pigmento mineral sobre papel algodão

Tiragem: 2 + 1P.A.

Coleção da artista

A Imperatriz no Pórtico

2018 

Série: A Imperatriz 

60x50  

Pigmento mineral sobre papel algodão

Tiragem: 2 + 1P.A.

Coleção da artista

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A Imperatriz Subindo e Descendo a Escada 

2018 

Série: A Imperatriz 

100x80 cada / díptico 

Pigmento mineral sobre papel algodão

Tiragem: 2 + 1P.A.

Coleção: MAM-RIO, Rio de Janeiro 

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A Imperatriz Meditando

2017 

Série: A Imperatriz 

60x40

Pigmento mineral sobre papel algodão

Tiragem: 2 + 1P.A.

Coleção: Santander Brasil, São Paulo 

A Imperatriz Concreta no MAM-Rio 

2019 

Série: A Imperatriz 

120x80

Pigmento mineral sobre papel algodão

Tiragem: 2 + 1P.A.

Em processo de doação para o MAM-RIO

A Imperatriz sobre o busto do Imperador

2018 

Série: A Imperatriz 

60x40  

Pigmento mineral sobre papel algodão

Tiragem: 2 + 1P.A.

Coleção: MARGS, Porto Alegre

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A Imperatriz Sentada 

2018 

Série: A Imperatriz 

120x80  

Pigmento mineral sobre papel algodão

Tiragem: 2 + 1P.A.

Coleção: MAC-Niterói, Rio de Janeiro

Há Sangue no Rosto da Imperatriz 

2017 

Série: A Imperatriz 

60x40  

Pigmento mineral sobre papel algodão

Tiragem: 2 + 1P.A.

Coleção: Santander Brasil, São Paulo

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Dance With Me 

2018 

Performance

Mel e folhas de ouro sobre corpo 

Bossa nova e MPB no ambiente 

Coleção da artista

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A Imperatriz Concreta no MAM-Rio 

2019 

Série: A Imperatriz 

120x80

Pigmento mineral sobre papel algodão

Tiragem: 2 + 1P.A.

Em processo de doação para o MAM-RIO

Museu de Arte do Rio. Agosto de 2018

Os corpos transexuais e de gênero não-binário, como o meu, são lidos pela sociedade de maneira abjeta, indecente, depravada. Corpos que só servem para a sujeira e prevaricação. Em, Dance With Me, cubro meu corpo com mel e folhas de ouro 18k, e ao som de bossa nova e mpb convido o público a dançar comigo, num gesto de aproximação e desfetichização. Brinco com o jargão “não te aceito nem coberta de ouro”, para questionar os mecanismos de aceitação e rejeição dos corpos trans e não-binários pela sociedade normativa. Em meu trabalho tais mecanismos são o recurso à beleza e à riqueza que adornam meu corpo considerado abjeto e o alçam ao patamar de aceitação, ou aproximação por parte do outro, que ao término da dança leva ouro em suas mãos ou em partes de seu corpo que tocaram o meu. 

Meu Cu é Uma Festa

2015  

Vídeo-Performance

Coleção: Performatus, Portugal 

 

O vídeo-performance Meu Cu é Uma Festa foi produzido exclusivamente para a exposição Trabalha-Dores do Cu com curadoria de Paulo Aureliano da Mata e Tales Frey. É uma obra que, através da intimidade do próprio artista, versa sobre as interações nada convencionais que o artista pode ter com o cu. O cu é o local da obra; o local onde, secretamente, as pessoas realizam suas festas íntimas. O cu vem questionar quais partes do corpo estão permitidas ao artista trabalhar na arte; questiona os limites entre obra de arte contemporânea, indecência e pornografia. 

Your asshole is a party

2019  

Foto-Performance

Coleção da artista

 

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Genital Panic II 

2015

Foto-performance

42x29,7 

Impressão em metacrilato 

Tiragem: 5 + 3P.A.

Coleção da artista

Genital Panic II é uma foto-performance produzida em 2015 e dedicada à memória de Valie Export. É uma espécie de continuação do trabalho de Valie produzido em 1969 com o intuito de trazer sua obra para a contextualização do debate sobre gênero e sexualidade. 

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Código dos zonas sexuais  

2018 

Série: Formas Contrassexuais 

42x29,7 

Acrílica sobre papel

Coleção da artista

Formas Contrassexuais

O filósofo transexual, Paul Beatriz Preciado propõem em seu livro, “Manifesto Contrassexual” um modelo de sociedade Contrassexual onde as pessoas não são compreendidas a partir da dicotomia de gênero, sexo, raça e classe: masculino e feminino, macho e fêmea, negro e branco, pobre e rico. Mas sim como o que ele denomina de, “corpos falantes” dotados de potência. Nessa sociedade um tanto utópica, mas que contem em si um paradigma alternativo para pensarmos os sujeitos fora da norma heteronormativa, as próprias relações sexuais e o entendimento do corpo e do erótico são radicalmente alterados. Segundo o que o filosofo fala, surgira uma “Dildotectonia”, ou seja, uma tecnologia cientifica que possibilitara que as pessoas implantem clitóris, ou abram orifícios em varias partes de seus corpos, modificando drasticamente a materialidade dos corpos e as relações sexuais e interpessoais. Um seio poderá abrigar um orifício semelhante a um ânus, um clitóris pode ser implantado em um braço ou perna, assim como falos podem ser implantados em outras partes do corpo, chegando ao que chamamos de, “Formas Contrassexuais”. 

Friso 

2018 

Série: Formas Contrassexuais 

400x50 

Políptico

Acrílica e folhas de ouro sobre tela  

Coleção: Maurici Santos e Ricardo Seminsta, São Paulo   

 

DNA I

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

100x20

Políptico 

Acrílica e folhas de ouro sobre tela  

Coleção: Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro 

 

O Surgimento de Vênus  

2018 

Série: Formas Contrassexuais 

Cor. 1280p. Loop

Vídeo-performance 

Coleção da artista

 

O Espelho 

2018 

Dimensões variadas

Site-specific

Acrílica e folhas de ouro sobre parede 

Coleção da artista

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DNA II

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

120x20

Políptico 

Acrílica e folhas de ouro sobre tela  

Coleção da artista 

 

Sem título 

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

210x50

Acrílica, folhas de ouro, feltro, borracha e prego sobre tela 

Coleção da artista

 

Xhe

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

50x40 cada 

Díptico

Acrílica, folhas de ouro, feltro e prego sobre tela 

Coleção da artista

 

Sem título 

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

70x50

Acrílica, folhas de ouro, feltro e prego sobre tela 

Coleção da artista

 

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Paisagem I

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

30x20  

Feltro sobre tela 

Coleção da artista

 

Pendente I  

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

30x42

Cobertor de mendigo, feltro, borracha e prego sobre tela 

Coleção da artista

 

Pendente II 

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

30x50

Cobertor de mendigo, feltro, borracha e prego sobre tela 

Coleção da artista

 

Pendente III

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

20X32

Cobertor de mendigo, feltro, borracha e prego sobre tela 

Coleção da artista

 

Sem título 

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

40x62

Acrílica, ouro, borracha e prego sobre tela 

Coleção da artista

 

Paisagem V

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

30x20

Feltro sobre tela 

Coleção da artista

 

Paisagem VI

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

30x20

Feltro sobre tela 

Coleção: Marcelo Araujo, São Paulo 

 

Paisagem II

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

20x20  

Feltro sobre tela 

Coleção: Marcelo Araujo, São Paulo 

 

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Paisagem III

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

30x30  

Feltro sobre tela 

Coleção da artista

 

Like

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

58x15x9  

Borracha, nylon, sal e prego  

Coleção da artista 

 

Detail

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

34x27x10  

Couro, nylon, areia, elástico, plástico, metal e prego  

Coleção da artista

 

Do it yourself #3

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

25x18 

Silicone  

Coleção da artista 

 

Do it yourself #1

2019 

Série: Formas Contrassexuais 

10x15 

Silicone  

Coleção da artista 

Just let it be 

2019

Série: Formas Contrassexuais

Dimensões variadas 

Sapato, nylon, areia, feltro, espuma de silicone e madeira 

Coleção da artista 

Dance me to the end of love 

2019

Série: Formas Contrassexuais

160x100x50 

Metal, plástico, acrílico, nylon, areia, pele sintética, espuma de silicone, cabelo sintétilo e elástico

Coleção da artista

The Queen

2019

Série: Formas Contrassexuais

Site-specific

Dimensões variadas 

Nylon, areia e pérolas

Coleção da artista

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Ponto Limítrofe 

2016 

Instalação

200 metro de tulê, 1500 lâmpadas, 10kg de breu derretido, vídeo e audio projeções 

Coleção: MAC-RS, Porto Alegre

De uma forma singular, Élle de Bernardini procura desestabilizar o espectador, articulando proposições que o colocam em situação de conflito e inquietação com a própria subjetividade. Em Ponto Limítrofe tais aspectos podem ser observados pela relação construída entre os elementos, que apesar de serem belos e atraentes, se mostram como extremos de um ambiente tenso e perturbador. Atraídos pelo breu que escorre de nebulosa, porção de tule preto envolto por pequenas luzes, adentramos a galeria. Assim que avançamos, nos deparamos com a projeção da artista, que propositadamente nos encara. Em seus gestos, a lágrima que escorre deixa transparecer um sentimento de dor e tristeza, realçado pela sonoridade erudita que nos cerca. A música que emana, oriunda do Butoh - dança oriental surgida em meados da década de 1950 no Japão – afeta o ambiente, em uma troca crescente de notas que trabalham o Jo Ha Kyu, entendido como começo, desenvolvimento e clímax no Butoh. Partindo dessa configuração, e do estímulo de nossas sensações e percepções, Élle de Bernardini propõe um embate centrado no ser, em questões que nos colocam em confronto com nossa própria natureza. Nesse sentido, a presente instalação pode ser compreendida como a possibilidade de uma experiência que busca, entre outros aspectos, atuar na transformação do indivíduo e na desconstrução da própria existência. 

Jaqueline Sampaio e Verônica Vaz

Curadoras

Genital Panic II é uma foto-performance produzida em 2015 e dedicada à memória de Valie Export. É uma espécie de continuação do trabalho de Valie produzido em 1969 com o intuito de trazer sua obra para a contextualização do debate sobre gênero e sexualidade. 

Bááárbaros

2015-2018  

Performance

Microfone e caixa de som 

Coleção da artista

 

O grito é uma crítica, e auto-crítica, à falta de civilidade da sociedade contemporânea; é uma repulsa aos atos bárbaros cometidos pelos humanos do mundo inteiro. 

Pivô Arte e Pesquisa. Agosto de 2018

Naval - Brasil à Deriva

2014 

Instalação 

6000 mil sacos de lixo preto e fita crepe sobre parede, chão e teto.  

Coleção da artista

 

Na instalação Naval - Brasil à Deriva, forrei o interior de uma casa noturna no centro da cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, com sacos de lixo preto e fita crepe. Durante a vernissage, artistas convidados realizaram uma ação onde rasgaram pilhas de papel branco, encheram balões até estourar, e quebraram pratos de porcelana. Algumas pessoas do público foram feridas pela performance. A obra foi apresentada no dia 8 de outubro de 2014, entre o primeiro e o segundo turno das eleições para presidente da república.

Leito  

2015 

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Instalação

242 pedras, piche, breu, barbante e papel paraná 

Coleção da artista

242 pedras foram retiradas dos leitos dos rios em torno da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, afetando assim o ecossistema da região. Na mesma cidade, em janeiro de 2013 um incêndio em uma boate matou 242 jovens intoxicados por cianeto, liberado na queima da espuma do isolamento acústico da boate.

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Efeito Colateral - Marielle Presente  

2018 

Performance

Batom cor da pele de Marielle e nanquim azul 

Marchinha "Bandeira Branca" no ambiente

Coleção da artista

Campo de Contato II - Tapas Pra Que Te Quero?

2016  

Performance

Caixa de som, parede, giz e poltrona 

Coleção da artista

 

No dia 6 de outubro de 2016, no Prédio das Artes da Universidade Federal de Rio Grande (FURG) na ocasião do evento Ruído.Gesto Ação & Performance 2016 CorpoaCorpo, propus uma segunda ação do projeto Campo de Contato. Entrei no saguão, conectei a caixa de som com árias de Verdi, Mozart e Saint-Saëns, escrevi a giz uma indicação na parede, sentei-me na poltrona, e fui estapeada por diversas pessoas durante 16 minutos.

As Lágrimas do Artista   

2015

Performance

Coleção: MARGS, Porto Alegre

Campo de Contato I  

2014

Performance

50 copos cheios de água sobre uma mesa e folheto de instrução para o público 

Coleção da artista

No dia 17 de agosto de 2014, propus ao público o ato Campo de Contato - Ação I Sem Título, que ocorreu nas ruínas da estação férrea da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Os visitantes foram convidados a jogar copos de água em meu rosto. Essa ação foi um segundo momento do resgate da memória dos anos de chumbo. Desta vez, contudo, houve um catalisador somado ao processo, a saber, a morte de 242 jovens em um incêndio que ocorreu um ano antes.

O Afogamento 

2014  

Performance

Bacia com água  

Coleção da artista

 

No dia 1 de abril de 2014, o Brasil completou 50 anos de golpe civil e militar. Para resgatar a memória dos sentidos daqueles anos de chumbo, submergi minha cabeça em uma bacia com água repetidas vezes ao ponto de quase me afogar com o intuito de simular um dos tipos mais comuns de tortura que inúmeros prisioneiros sofreram durante a Ditadura. O afogamento aconteceu no mesmo dia às 16h em Santa Maria no Rio Grande do Sul, cidade estrategicamente posicionada durante o regime e com o maior número de quartéis militares do país.